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Sobre a Geologia e Hidrogeologia

Cerca de 97% de toda água doce disponível para uso da humanidade encontra-se no subsolo, na forma de água subterrânea. Como é um recurso que não pode ser visto, só o conhecimento científico de sua ocorrência pode nos capacitar a formar em nossa mente uma imagem de sua existência real e de suas características físicas e químicas.

A primeira grande dificuldade com que nos deparamos é com o falso conceito de que as rochas, por serem sólidas, não conseguem armazenar tanta água. É difícil, num primeiro momento, se acostumar com a idéia de que estamos sobre uma grande esponja rochosa cheia de água. Por isto é muito comum ouvirmos falar em "rios subterrâneos". Nos livros didáticos, não é raro a água subterrânea ser apresentada como uma massa em fluxo contínuo como se fosse um rio. Este erro decorre da dificuldade de pensar o fluxo subterrâneo como sendo em meio poroso ou fraturado.

Para entender a questão, o primeiro passo é compreender que as rochas, apesar de sólidas, são mais ou menos porosas ou fraturadas e é aí que se acumula a água.



Imagine um balde cheio de areia seca. Se colocarmos água ela vai sumir? Não, vai se acumular nos espaços existentes entre os grãos. O mesmo acontece com as rochas. A água que se infiltra vai se acumular nos espaços abertos encontrados nas rochas ou nos solos. Apesar das rochas não serem tão porosas, como a areia solta, grandes volumes de rochas podem armazenar grandes volumes de água. A quantidade de água capaz de ser armazenada pelas rochas e pelos materiais inconsolidados em geral(solos e sedimentos), vai depender de sua porosidade, da comunicação destes poros entre si; ou da quantidade e tamanho das aberturas de fraturas existentes. As rochas e os materiais inconsolidados, dependendo de sua origem e características intrínsecas, podem apresentar porosidade bem distintas, indo do impermeável até 30%,ou até mais, em alguns casos.

Durante muito tempo acreditou-se que as águas minerais tinham uma origem diferente da água subterrânea. Sabe-se hoje, contudo, que ambas têm a mesma origem: 98% são águas de superfície que se infiltraram no subsolo.

As águas minerais são aquelas que conseguiram atingir profundidades maiores e que, por isto, puderam se enriquecer mais em sais, adquirindo novas características físico-químicas, como pH e temperatura. Normalmente variam com a "distância" que percorre - local, intermediário e regional.

Para que a água atinja grandes profundidades é necessário que encontre descontinuidades nas rochas, como fraturamentos e falhas geológicas. A sua temperatura será tanto maior quanto maior for sua profundidade, devido ao chamado "gradiente geotérmico local". O seu conteúdo em sais guarda uma relação direta com o calor, pois a capacidade de dissolver minerais e incorporar solutos aumenta com a temperatura.

Hoje com o avanço da tecnologia de perfuração de poços profundos, é possível prever que esta passará a ser a forma predominante de captação das águas. Como vantagem para a captação através de poços pode-se citar : uma produção segundo a demanda; controle mais barato e efetivo da qualidade bacteriológica da água; captação mais profunda e longe da influência das águas rasas, mais recentes e menos mineralizadas.

 


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