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A Questão da Água Subterrânea

Como se trata de um recurso invisível, a grande maioria das pessoas, incluindo os governantes e políticos, nunca a levam em consideração quando falam em água. É muito comum encontrarmos ambientalistas militantes que pouco conhecem este recurso. Na literatura sobre meio ambiente utilizada no ensino brasileiro, verificamos que a água subterrânea ocupa um espaço muito pequeno, ficando a ênfase maior com as águas superficiais.

Grandes cidades brasileiras já são abastecidas, total ou parcialmente, por água subterrânea. No Estado de São Paulo estima-se que 75% das cidades são abastecidas por poços. Ribeirão Preto é um bom exemplo de uma grande cidade onde a água subterrânea tem sido bem gerenciada, garantindo o abastecimento de toda a população com uma água de ótima qualidade. Nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, 90% das cidades são abastecidas por águas subterrâneas.

 

Apontamos as seguintes vantagens das águas subterrâneas em relação às águas superficiais:

-São mais protegidas da poluição;

-O custo de sua captação e distribuição é muito mais barato. A captação pode ser próxima da área consumidora, o que torna mais barato o processo de distribuição;

-Em geral não precisam de nenhum tratamento, o que, além de ser uma grande vantagem econômica, é melhor para a saúde humana;

-Permitem um planejamento modular na oferta de água à população, isto é, mais poços podem ser perfurados na medida que aumente a necessidade, dispensando grandes investimentos de capital de uma única vez.

Obviamente que a água subterrânea, apesar de muito importante, não é suficiente para abastecer grandes centros populacionais situados em áreas de aqüíferos pobres, como é o caso do Rio de Janeiro. No entanto é um complemento importante à água superficial. Poucos sabem, mas mesmo no Rio de Janeiro, há muitas indústrias que só usam água subterrânea.

Nas duas últimas décadas houve um grande crescimento do uso deste recurso no Brasil, mas estamos longe dos níveis de uso e gerenciamento alcançados pelos países da Europa e Estados Unidos.

Conceitos e Preconceitos

Se a água subterrânea é tão importante, por que é tão desconhecida e ignorada?

Como é um recurso que não pode ser visto, só o conhecimento científico de sua ocorrência pode nos capacitar a formar em nossa mente uma imagem de sua existência real e de suas características físicas e químicas.

A primeira grande dificuldade com que nos deparamos é com o falso conceito de que as rochas, por serem sólidas, não conseguem armazenar tanta água. É difícil, num primeiro momento, se acostumar com a idéia de que estamos sobre uma grande esponja rochosa cheia de água. Por isto é muito comum ouvirmos falar em "rios subterrâneos". Nos livros didáticos, não é raro a água subterrânea ser apresentada como uma massa em fluxo contínuo como se fosse um rio. Este erro decorre da dificuldade de pensar o fluxo subterrâneo como sendo em meio poroso ou fraturado.

Para entender a água subterrânea, o primeiro passo é compreender que as rochas, apesar de sólidas, são mais ou menos porosas ou fraturadas e é aí que se acumula a água. Imagine um balde cheio de areia seca. Se colocarmos água ela vai sumir? Não, vai se acumular nos espaços existentes entre os grãos. O mesmo acontece com as rochas. A água que se infiltra vai se acumular nos espaços abertos encontrados nas rochas ou nos solos. Apesar das rochas não serem tão porosas, como a areia solta, grandes volumes de rochas podem armazenar grandes volumes de água. A quantidade de água capaz de ser armazenada pelas rochas e pelos materiais inconsolidados em geral(solos e sedimentos), vai depender de sua porosidade, da comunicação destes poros entre si; ou da quantidade e tamanho das aberturas de fraturas existentes. As rochas e os materiais inconsolidados, dependendo de sua origem e características intrínsecas, podem apresentar porosidade bem distintas, indo do impermeável até 30%,ou até mais, em alguns casos.

Desta forma, conhecer a água subterrânea será a única forma de termos consciência da importância de sua preservação. Isto nos capacitará a não permitir que se faça com ela o que tem sido feito com nossos rios, transformados em esgotos a céu aberto.


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